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7:57 PM

É difícil prever o futuro e mais ainda é quase impossível aceitar o destino. Palavra forte, cujo empregar significa que tu não tens escolha, é destino. Já foi escrito, e nem tu, com toda tua revolta, com todo teu clamor, podes ser capaz de mudar o teu destino. Como um ser, um ser chamado “Destino”, cujo aspecto difere, alguns o vêem belo e suave como à brisa que que acaricia a planície no fim de toda tarde, onde o sol tímido se esconde e dá lugar a lua dos amantes. Ou talvez o vejam assustador e horrendo como uma chuva forte, daquela que castiga o corpo e leva consigo em uma alastrar grotesco a tudo que bem entende. Como pode este ser que nem mesmo o aspecto é uma segurança, escolher o que há de ser a tua vida e a tua morte ? Deve ser por tal que sofremos calados, aceitando o que nunca pudemos escolher, entender ou planejar. Por não conhecer o destino. Pudera, ele se esconde, se esconde em nossa falta de coragem, se esconde em nossa hipocrisia e em nossa aceitação submissa do que é imposto e ditado. Planos e sonhos, que nos são arrancados, quanto outros decidem o fazer. Foram-me arrancados, tomados, de minhas pequenas mãos, e depois tomados de minha quieta alma, com a vida invadida, e tendo a escolha moribunda de não ter escolha, de para salvar a quem amas, perder o amor que lhe é do próprio ser. E a mim não é a força que falta, não a força que faltou a minha mãe, nem mesmo a falta de caráter que advinha de meu pai. A mim falta o motivo! Motivo este que me levaria ao delírio, delírio necessário a enfrentar a meu pai, a meu irmão, a sociedade preconceituosa. E dizer não ao que todos clamam ser o meu destino. Achar seres justo o destino de passar a eternidade ao lado de um ser que não ama e nem por quanto carinho possui? Pois eu não o acho, pois também não o nego! Como já disse não existe o motivo. Mas confesso, com o coração entre pedras. Que não fora assim que eu sonhei. Não fora este destino que meus sonhos me apresentaram. Via-me sim, feliz e a reinar em uma casa repleta de amor. Vislumbre-me, em me casar por amor e não seguir o destino, o destino igual o de minha pobre mãe. Que teve ainda depois da tristeza que a matou o martírio de carregar nas costas o titulo de louca, por um suicídio não somente do corpo, um suicídio da alma, um suicídio do coração. E quem destes nobres hipócritas há de entender? O delírio de paixão de minha pobre mãe?.... E somente aqui, somente nas margens do Rio que levou o seu corpo é que sou capaz de escrever meus sentimentos, estes que não tem qualquer importância, a meu pai, a meu irmão, ou a sociedade preconceituosa... Estes que são levados junto de minha mãe, pelo rio, pelas águas. Águas que guardam os sentimentos. Águas que protegem meu coração. Do Rio de minha alma... O Rio de Veneza.
Francesca Bruni
Contado por Livro de Histórias
*Esse
é um jogo fictício*
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