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7:06 PM
Ato II - Noiva ou Viuva?- Tens de estar a mais bela, doce Francesca!!! A voz matreira de Victoria soava pelo quatro não como um desejo, quase como uma ordem, e logo a loira se erguia da cadeira onde estava sentada e partia na direção de sua amiga, Francesca, que estava frente ao espelho, somente com o espartilho e a saia do mesmo a olhar-se ao espelho, o corpo magro, delineado por curvas que poucos poetas ousariam descrever, os cabelos castanhos avermelhados, caiam soltos pelas costas, em cachos leves, bem feitos, naturalmente perfeitos, e os olhos azuis escuros, focavam-se na própria imagem ao espelho, e logo Victoria apanhava as tiras do espartilho de sua amiga, a olhar para a mesma por cima de seu ombro, ao espelho - Como pode a mais infeliz ser a mais bela, Victoria???!!!..Há de me comprar um sorriso? Vendem-se sorrisos como se vendem donzelas por estas bandas?...- o olhar era melancólico, quase como o de quem se entrega a forca - Oh minha bela, se há então, compraste o mais belo....- apertou firme os cordões do espartilho, fazendo os seios de Francesca subirem ao extremo e avolumarem-se, pressionados pelo grossos tecido - Arghhh...Deus...- levou a mão contra a cintura e a outra ao peito - Pois a mais bela nem respirar o pode, tendo os seios quase a cobrir o rosto, tamanha a forma como me apertaste estes panos, Victoria!...Para uma casta hás de saber provocar em demasia não?... Os olhos verdes de Vitória, cerraram-se de leve e logo ela sussurrou, enquanto amarrava os cordões - Oras Francesca, não hei de considerar seu mau humor como ofensa de nossa amizade, mas não faça alusão de minha castidade como se fosse uma ironia de minha vida, é a minha verdade.... Francesca deixou-se sorrir, aquela forma suave, de quem morde os lábios a sorrir, até mesmo provocativa, segundo o conservadorismo exarcebado de seu irmão, e logo sussurrou - E sorte de ti, que não tem que entregar sua verdade a um homem mais preocupado com as posses do que com a noiva que compra... Victoria, puxou mais firme os cordões de Francesca, a fazendo gemer, e logo falou de modo mais imperativo - Não fale assim de meu querido primo, ele é um bom homem, o melhor que podias arrumar Francesca, só não sou eu a casar com ele, porque o nosso parentesco não nos permite... Francesca ouvia aquilo em total silencio, voltou os olhos ao espelho, encarando Victoria, e logo virou o corpo bruscamente, apontando o vestido a cadeira - Deixemos de conversa, ajuda-me a me vestir, tão cedo o tormento começa, tão cedo ele acaba...Não conheço teu primo minha bela amiga, não posso julgá-lo, apenas não queria ser vendida como um objeto de boa barganha, nada mais.... Victoria apanhou o belo vestido negro sobre a cadeira, e logo se dirigiu até Francesca, fitou o vestido e depois a ele, e sussurrou um tanto abismada - Vais a um enterro ou ao seu noivado, minha doce Francesca?... Victoria, ergueu a face e encarou a amiga nos olhos - Não podes vestir preto, hás de usar uma cor mais alegre, como deve estar à noiva de meu primo. Francesca, apanhou o vestido das mãos de Victoria, e logo o passou pelo corpo, virando-se ao espelho, começou a ajeitá-lo, o mesmo era todo negro, com rendas de um verde musgo sobre os seios, um decote ovalado, que os deixava bem aparente, sorriu de leve, olhando-se, já iria enfrentar a todos, usando um vestido negro no dia de seu noivado, poderia sim aceitar, de boca fechado, mas não de alma calada. Virou-se a amiga, que acabara de prender seu vestido e já se retirava um tanto indignada com aquilo, e sorriu de leve antes de deixá-la sair... - Mas é claro que é um enterro Victoria, o enterro de meu coração...
Contado por Livro de Histórias
*Esse
é um jogo fictício*
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